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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Uma semana atípica, trabalhando em "zonas de desenvolvimento próximo"

Hoje fala a educadora...

Esta  semana foi bastante diferente do habitual, uma vez que a baixa frequência de crianças, motivada por doença, impactou significativamente nas dinâmicas habituais.
Foi uma situação que teve um lado mau, mas também um outro lado, menos mau...
Possibilitou trabalhar mais em proximidade, em pequeno grupo e individualmente.
Permitiu observar, escutar e conhecer melhor cada criança, os seus pontos fortes e mais fracos, as suas escolhas e aquilo em que necessita de ajuda... da ajuda de alguém mais competente, seja um colega ou um adulto. Assim, de modo a potenciar desenvolvimento, a educadora e a assistente assumem aqui um papel de mediação.
"A ideia de mediação explica a importância da comunicação no desenvolvimento da criança. Por exemplo, a criança tem de aprender a comer com uma colher. A maneira como um adulto próximo (normalmente a mãe) usa a colher é o mediador para a criança aprender a comer, porque a criança só pode dominar a maneira cultural de fazer alguma coisa com a mediação do adulto. Às vezes a mãe ajuda, outras demonstra como se faz, outras ainda, apoia. A criança desenvolve a aptidão para agir (fazer alguma coisa) de forma humana na interação com o adulto, que é muito mais competente no modo cultural de agir" (Elena Yudina)

Um dos mais conhecidos teóricos da aprendizagem, Lev Vigotsky (1896-1934) desenvolveu o conceito de zona de desenvolvimento próximo, que está relacionado com esta ideia de mediação:

zona de desenvolvimento próximo pode definir-se como "a distância entre o nível real de desenvolvimento da criança, avaliado pela dificuldade do problema que esta pode resolver sem a ajuda do adulto e o seu nível de desenvolvimento potencial, avaliado pela dificuldade do problema que uma criança consegue resolver com a ajuda de um colega mais competente ou de um adulto." (Elena Yudina). 


Vigotsky considerou que, para promover o desenvolvimento da criança, a Educação deveria criar essa zona: por outras palavras, deveria estar à frente do desenvolvimento, e não segui-lo.

Foi isso que procuramos levar a efeito durante esta semana: foram 5 dias, 25 horas de trabalho de proximidade, nas áreas de expressão, nos projetos, nos jogos calmos, na biblioteca, no computador... ajudando o desenvolvimento a acontecer, apoiando as crianças a chegarem aonde não chegariam por si sós.

Vigotsky defendeu também que a criança não é uma garrafa vazia para o professor encher de conhecimentos e que ensinar a criança não significa, necessariamente, que se desenvolva. 
Pelo contrário, para desenvolver as funções mentais superiores, a criança tem de interagir com o ambiente, mas com a mediação de agentes culturais (neste caso, adultos significativos). Por isso se continua a insistir: é pela ação do brincar que a criança aprende!
Em resumo, a criança é sujeito e não objecto da aprendizagem.
Mas e apesar de tudo isto, esperamos que, na semana que aí vem, todas as crianças voltem, totalmente recuperadas das suas febres, gripes e amigdalites!
Porque a Sala é muito mais Fixe, quando a malta fixe está toda junta...

1 comentário:

Rosa Alves disse...

Nós sabemos que cada criança é um ser único. As habilidades individuais são distintas, o que significa também que cada criança tem o seu próprio ritmo. À primeira vista, ter como missão lidar com tantas individualidades pode parecer um pesadelo, então quando se tem 24/25 crs. na sala como me acontece a mim, e nem sempre possamos fazer o acompanhamento devido, ou pelo menos aquele que como profissionais que somos desejamos. Mas aí é que está a riqueza de saber valer as diferenças, de estimular o desenvolvimento de cada um, e nós vamos tentando dentro do possível, com o trabalho a pares e em pequeno grupo ajudar aqueles que necessitam dela. Porque como tu referes neste excelente texto, a zona de desenvolvimento próximo é isto mesmo " a proximidade de hoje será o nível de desenvolvimento real amanhã". (esta frase é de alguém que eu agora não lembro o nome). Ou seja: aquilo que nesse momento uma criança só consegue fazer com a ajuda de alguém, um pouco mais adiante ela certamente conseguirá fazer sozinha. Ainda bem que defendes , que "a criança é sujeito e não objecto da aprendizagem." (outra coisa não seria de esperar). Obrigada pelo excelente texto. As melhoras dos fixes. Bom fim de semana. Beijinhos Triquiteiros

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