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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Ajudar a compreender, aprender a pensar - a filosofia da morte

Hoje a máquina fotográfica não regressou da escola... mas também não fez mal pois o que de mais importante aconteceu, não podia ser fotografado!

Conversava-se, logo pela manhã na reunião do grande grupo, sobre uma novidade importante: a Margarida, animadora que nos acompanhou durante estas últimas duas semanas, foi-se embora, pois precisava de fazer uma cirurgia... e conversa puxa conversa, fomos desde o sistema circulatório até ao coração, e do coração passamos à vida e daí... à morte.

Todos já sabem que existem seres vivos e seres não vivos. 
Os seres vivos (plantas, animais e pessoas) nascem, respiram, crescem e morrem e os seres não vivos (pedras, coisas construídas pelo Homem...) não fazem nada disso, só existem.


Mas a morte é um assunto que desperta interesse e falou-se da morte com naturalidade, como tem que ser com crianças pequenas. Surgiram então conceções diferentes:
- Quando se morre vai-se para o céu, não é?
- Não, vai-se para o cemitério!
- E depois nunca mais se muda de roupa!
- Não é nada, vai-se para o Jesus...
E, no meio da discussão, todos os olhitos se voltaram para mim à procura de uma resposta.
Várias crianças já passaram pela perda de avós e/ou avós-velhinhos (bisavós) e este tema já foi abordado, certamente, nos contextos familiares.
Então, que explicação dar, forçosamente simples, que não entrasse em contradição com as respostas recebidas em casa, que não enveredasse por crenças religiosas, mas que, ao mesmo tempo, esclarecesse a dúvida?

Comecei por tentar explicar que em cada um de nós existem duas partes distintas: o corpo e o espírito...
- É a alma!
- É, os pensamentos!
Parecia estar a resultar e continuei.
Fui buscar uma luva e comecei a contar uma história:

Quando uma criança nasce, o espírito dela (a mão) entra no corpo (a luva).
Então ela mexe, respira, chora, alimenta-se, dorme... está viva!
- Pois, o coração dela bate...
E leva o sangue a todo o corpo, fazendo-o funcionar bem.
Então a criança cresce, vai à escola, aprende coisas novas (sempre com a mão a mexer dentro da luva), torna-se jovem, depois adulta e mais tarde velhinha... e chega uma hora em que, como todos os seres vivos, morre.
Quando morre é isto que acontece (tirei a mão de dentro da luva; a mão continuou a mexer, mas a luva ficou parada em cima da mesa) o corpo já não faz falta, vai para o cemitério quando se faz o funeral. As pessoas amigas ficam tristes porque vão ter saudades. Mas o espírito, ou a alma, ou a vida, continua... está presente, está vivo, não lhe aconteceu nada.
- Está livre!
- E vai para o céu!
- É, se calhar vai...

Depois de tudo isto, quem disse que não se aborda a filosofia com crianças pequenas?

E tudo isto por causa de uma operação às varizes e também para anunciar a chegada da Ilídia, a nova Animadora da nossa Componente de Apoio às Famílias, que vai ficar, agora de vez, connosco!

1 comentário:

Gabriela disse...

Como as coisas complicadas para os adultos se tornam simples aos olhos das crianças...e que sorte temos de podermos partilhar estas preciosidades com eles. FIXE!
Gabriela

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